
Já são quase duas da manhã e eu me peguei aqui escrevendo de novo… Parece besteira, mas ser um projeto de médico não é uma tarefa fácil. Não mesmo!
Um professor há uns dias disse que um estudante de medicina aprende, em média, QUATRO MIL PALAVRAS só no primeiro ano de faculdade. Com um vocabulário contendo essa quantidade de palavras você, leitor, consegue se comunicar em japonês!
Passamos dias enfunados em uma sala de aula, tardes dentro de laboratórios de anatomia com a cara no cadáver (LITERALMENTE), luvas e jalecos sujos, livros que pesam mais que uma melancia na mochila, nada no estômago às vezes e uma pergunta que quase todos os dias nos persegue: o que eu estou fazendo aqui?
Sério! A sensação que dá em alguns momentos é que estamos completamente perdidos em meio a doutores e cadáveres. Entre livros e anotações – que não são poucas. Entre a vontade de ficar e a vontade de partir. Lembro-me muito bem da última propaganda do PROUNI na televisão. Muito bem produzida por sinal. Uma conterrânea que dizia ter passado em uma das melhores faculdades de medicina do país – FCMSCSP – traduzia a medicina como sendo um “sacerdócio”.
Caráter venerável. Quase sagrado. Missão elevada. Realmente, cuidar não só da vida, mas dos sentimentos alheios é uma missão para pessoas de caráter venerável. Quase atribuições do próprio clero – como listado acima também. Mas afinal: quando é que finalmente sentiremos em plenitude esse sentimento que abrasa os corações dos que já superaram os atos iniciais e daqueles que nos cercam e nos vêem como os “futuros médicos da família”, ou os “amigos médicos”? Quando é que se passa a sentir que o que faz(r)emos é realmente MUITO importante? Não sei…
Sinceramente? O que vejo agora é um monte de letras uma após a outra, formando nomes complexos a decorar, apostilas imensas de aminoácidos e propriedades químicas de alguma coisa… E as pessoas? Onde estão as pessoas? Onde, meu Deus, estão aqueles que precisam de uma sutura que seja?
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Daniel Powter - Bad Day
